Matilde Rosa Araújo e José Jorge Letria.
Também eles gostam de fadas e do seu mundo de magia.
De Matilde Rosa Araújo, tenho o prazer de te apresentar
«As fadas Verdes» que recebeu em 1994/95 o prémio

de melhor obra nacional de literatura infantil.
É uma colectânea de pequenos poemas. Gostavas de ler?
O outro nome referido, José Jorge Letria, escreveu «Fadas Contadas»,
do qual deixo aqui uma pequena amostra para abrir o apetite.
A CLARIDADE DAS FADAS
Era uma vez um castelo feito de pedra negra e húmida,
que se erguia, alto e assustador, no cimo da montanha mais alta
que havia num país de guerras e guerreiros.
Ninguém se atreveria a pensar que naquele país
moravam também fadas, com as suas varinhas de luz
e magia serena. Mas, por estranho que possa parecer,
moravam mesmo e usavam nomes bonitos e suaves.
Pó de Estrelas, chamava-se uma.
Lua Branca, chamava-se outra.
Fio de Luar, outra ainda.
Era por estes nomes pouco vulgares num país de guerras
e guerreiros que eram conhecidas.
Havia quem sonhasse com elas um bocadinho todas as noites,
à espera que aparecessem para tornarem o país mais luminoso e alegre.
Mas elas tinham medo de aparecer.
Viviam fechadas entre o arvoredo alto e verde da floresta
e era ali que faziam as suas magias e brincadeiras
e cozinhavam sonhos e traquinices
dentro de um enorme caldeirão de vidro azul.
Só os unicórnios, as pombas e os esquilos conheciam
o seu paradeiro e as visitavam, a qualquer hora do dia ou da noite,
para conversarem de tudo o que lhes vinha à cabeça,
mesmo das coisas sem importância de que quase ninguém
fala por achar que não vale a pena.
O rei D. Escuro II, que governava o país, gostava da escuridão
e não se importava que os outros vivessem nela,
com os olhos tapados por nuvens sombrias
e farrapos de treva.
Achava mesmo que essa era a melhor maneira de manter
por muitos e muitos anos o seu mando,
feito de escuridão e falas a meia voz.
(................)
José Jorge Letria, Fadas Contadas
E de fadas, por agora chega, não?
Talvez, numa das proximas vezes fiquem a saber mais sobre este conto, quem sabe?
Ou então, porque não como sugestão de leitura para férias?

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