Como antecipámos ontem, voltaremos à companhia dos mundialmente famososTrês Porquinhos, cuja história todos bem conhecem.
Mas tínhamos avisado que a história era bem diferente, como poderão verificar.
Esta versão foi escrita por Roald Dahl, um escritor que é de origem norueguesa
(pais noruegueses), mas nasceu no País de Gales (Reino Unido), em 1916.
Começou a escrever por volta do ano de 1942 e ficou conhecido pelo seu habitual humor negro.
Um dos seus livros foi recentemente adaptado ao cinema com o título
Um dos seus livros foi recentemente adaptado ao cinema com o título

"Charlie e a fábrica de chocolate."
Roald Dahl morreu em 1990.
A história que vão conhecer faz parte do volume "Histórias em verso para meninos perversos", que foi traduzido para língua portuguesa pela vossa bem conhecida Luisa Ducla Soares.
A história que vão conhecer faz parte do volume "Histórias em verso para meninos perversos", que foi traduzido para língua portuguesa pela vossa bem conhecida Luisa Ducla Soares.
OS TRÊS PORQUINHOS
É o porquinho e não é meu primo.
São nobres os porcos, inteligentes,

Bem educados e muito valentes.
Mas como não há regra sem excepção,
De vez em quando surge um parvalhão.
Diga-me você o que pensará
Se, passeando pelo bosque, lá
For encontrar um porco que trabalha
Diga-me você o que pensará
Se, passeando pelo bosque, lá
For encontrar um porco que trabalha

A construir uma casa de PALHA?
O lobo, que tal viu, pôs-se a pensar:
"Este tonto vai ser o meu jantar."
"Porquinho, porquinho, deixa-me entrar!"
"Não, que és lobo e me queres apanhar!"
"Então vou soprar mais forte que o vento,
A tua casinha não dura um momento!"
Por mais que rezasse a criatura
Por mais que rezasse a criatura
O lobo destruiu-lhe a arquitectura.
"Fiambre e presunto já eu provei.
De todos os lobos eu sou o rei."
De todos os lobos eu sou o rei."
Do pobre porquinho, ao fim e ao cabo,
Não se salvou nem a ponta do rabo.


Seguiu o seu passeio o lobo, inchado,
Outra casa de porcos entre a folhagem
Toda feita de TRONCOS e RAMAGEM.
"Não, que és lobo e me queres apanhar!"
"Então vou soprar mais forte que o vento,
A tua casa não dura um momento."
Gabou-se o lobo:"Vais ver, leitão!"
E pôs-se a soprar que nem um tufão.
Grunhiu o porquinho, num alvoroço:
"Já comeste, ó lobo, um bom almoço.
Não queres comigo fazer um contrato?"
"Para eu te comer antes num prato?"
Agarrou-o sem lutas nem fadiga,
Num instante lhe estava na barriga.
"Dois gordos porquinhos comi a eito
Mas ainda não estou satisfeito",
Disse o lobo:"Não me importaria
O lobo se abeirou de outro edifício,
Onde outro porquinho estava abrigado
Com medo de ser também devorado.
Mas este porquinho, que era o terceiro,
Foi mais esperto e muito matreiro.
Com palhas e ramos trabalha um tolo,
Ele fez a casa só de TIJOLO.
"Aqui não me apanhas", o porco disse.
"Apanho-te já, tens muita tolice."
E a minha casa não vai abanar.
O lobo soprou que nem um furacão,
A casa era forte, soprava em vão.
"Não a deito ao chão, por mais que me irrite.
Vou deitá-la ao ar com dinamite."
"Grande malvado!", gritou o porquinho
"Hei-de salvar-me. Espera um bocadinho."
O nosso porco tão ajuizado.
À espera de ouvir algum bom conselho
Ligou para o Capuchinho Vermelho.
És tu, porquinho, que me vens contar?"
"Precise que me ajude, Capuchinho,
Tenho problemas com um mau vizinho."
"Vamos a ver o que posso fazer...
Ah, é um lobo que te quer comer."
Disse a menina, nada amedrontada,
Pois, com lobos estava habituada.
"Ai a minha vida corre muito torta",
O porco disse. "Tenho um lobo à porta."
"Os meus cabelos estava a lavar,
Espera aí, que já os vou secar."

Pouco depois, através da floresta,
Chegou a menina, brava e lesta.
Lá estava o lobo, de olhos a brilhar
Abrindo a bocarra, afiando os dentes,
Rasgando a terra com garras valentes.
A menina puxou da camisola
Com rapidez, a sua pistola.
Mais uma vez no lobo acertou,
Só com um tiro o bicho matou.
O porquinho, olhando pela janela,
Aplaudia aquela bela donzela. 

Porquinho, nunca deves confiar
Que moça fina te queira ajudar.
Capuchinho Vermelho tem, meu bobo,
Dois belos casacões de pele de lobo.
E viaja com MALINHA de MÃO
FEITA DE PELE DE PORCO, pois então!

Roald Dahl, in Histórias em verso para meninos perversos




De modo que, com passo subreptício






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